Sessão 4 · Produção, Custos e Estruturas de Mercado
As sessões 2 e 3 construíram o comprador: preferências, o ótimo com restrição, a procura de mercado e a sua elasticidade.
Hoje construímos o outro lado. A oferta sai dos custos e do objetivo de maximizar o lucro. 🏭
E depois perguntamos o que muda quando a empresa é grande o suficiente para enfrentar sozinha toda a curva da procura. 👑
No fim temos uma curva da oferta. A sessão 5 põe-na frente à procura. 🔧
Os custos vêm de uma função de produção e dos preços dos fatores.
\[q = F(K, L)\] onde \(K\) é o capital (a fábrica, as máquinas) e \(L\) é o trabalho (horas de trabalho).
Por isso, antes de falar de custos, precisamos de saber como responde a produção quando a empresa usa mais \(K\) ou mais \(L\).
Há fatores que podes mudar esta semana, e há outros que não.
Podes chamar mais dois trabalhadores para amanhã de manhã. Não podes construir uma segunda fábrica até amanhã de manhã. 🏗️
Curto prazo: pelo menos um fator está fixo. Longo prazo: todos os fatores podem mudar.
No curto prazo a fábrica está dada, \(K = \bar K\), e a única escolha que sobra é \(L\): \[q = F(\bar K, L) = f(L)\]
É por isso que escrevemos \(f(L)\) e não \(F(K, L)\): hoje a empresa já tem a sua fábrica.
O fator fixo é de onde vem o custo fixo. Com \(\bar K\) máquinas alugadas a \(r\) cada uma, e trabalhadores pagos ao salário \(w\):
\[CF = r\bar K, \qquad CV = wL\]
A renda paga-se quer produzas 0 unidades quer 1000. A massa salarial depende de quantas pessoas chamas.
No longo prazo não há custo fixo: a empresa pode devolver a fábrica, ou construir uma maior. Voltamos a isto no fim da Parte 2. 🔁
Mantém \(\bar K\) fixo e junta trabalhadores um a um.
Produto marginal do trabalho: a produção extra de mais um trabalhador, \(PMg_L = f'(L)\).
Produto médio do trabalho: a produção por trabalhador, \(PMe_L = f(L)/L\). É a isto que costumamos chamar produtividade.
A mesma relação que entre custo marginal e custo médio (vemo-la daqui a pouco): enquanto \(PMg_L > PMe_L\) o novo trabalhador puxa a média para cima, quando \(PMg_L < PMe_L\) o novo trabalhador puxa-a para baixo. Logo o \(PMg_L\) cruza o \(PMe_L\) no máximo do \(PMe_L\).
O \(PMg_L\) sobe até ao quinto trabalhador e desce a partir daí. O \(PMe_L\) atinge o máximo onde o \(PMg_L\) o cruza.
Com dois trabalhadores numa oficina grande, cada um faz tudo: cortar, montar, embalar, carregar. Um terceiro permite-lhes dividir as tarefas, cada um fica bom numa coisa e ninguém anda de posto em posto. É o ganho de especialização, e o \(PMg_L\) sobe.
📌 A fábrica de alfinetes de Adam Smith (1776): dez trabalhadores a dividir 18 operações faziam cerca de 48 000 alfinetes por dia. Um trabalhador sozinho, calculava ele, não faria vinte.
Mas a fábrica é fixa. O décimo trabalhador partilha as mesmas máquinas e o mesmo chão com os outros nove, e passa parte do dia à espera de uma máquina livre. Rendimentos marginais decrescentes: a partir de certo ponto, \(f'' < 0\).
Os rendimentos decrescentes precisam do \(\bar K\) fixo. No longo prazo, quando a fábrica pode crescer com o número de trabalhadores, nada os impõe.
Para fazer mais uma unidade precisas de \(1/PMg_L\) trabalhadores extra, cada um a custar o salário \(w\). Logo
\[CMg = \frac{w}{PMg_L}\]
Enquanto a especialização faz subir o \(PMg_L\), o \(CMg\) desce. Quando chegam os rendimentos decrescentes, o \(PMg_L\) desce e o \(CMg\) sobe.
E diz-te o que desloca o \(CMg\): o salário e a produtividade. Guarda esta lista; é exatamente o que desloca a oferta na sessão 5. 🔁
O mesmo truque para a média. O custo variável é a massa salarial, \(CV = wL\), logo
\[CVMe = \frac{wL}{q} = \frac{w}{q/L} = \frac{w}{PMe_L}\]
Quanto mais produtivo for o trabalhador médio, mais baixo é o custo por unidade.
Põe os dois lado a lado: \(CMg = w/PMg_L\) e \(CVMe = w/PMe_L\). O \(PMg_L\) cruza o \(PMe_L\) no máximo do \(PMe_L\), logo o \(CMg\) cruza o \(CVMe\) no mínimo do \(CVMe\).
As curvas de custo à direita são as curvas de produto à esquerda, viradas ao contrário (\(w = 30\)).
Toma \(q = \sqrt{L}\), logo \(L = q^{2}\), com salário \(w\) e um custo fixo \(F\).
\[CT(q) = F + w\,q^{2}, \qquad CMg(q) = 2wq, \qquad CMe(q) = \frac{F}{q} + wq\]
O \(CMg\) sobe porque \(f'' < 0\); o \(CMe\) primeiro desce (o custo fixo reparte-se por mais unidades) e depois sobe (o custo marginal puxa-o para cima).
Aqui \(PMg_L = \tfrac{1}{2\sqrt{L}}\) desce logo desde o primeiro trabalhador: não há fase de especialização, só rendimentos decrescentes. A álgebra é mais simples e a lógica é a mesma. 📐
Custo fixo (CF): não depende da quantidade (renda, seguros). Vem do fator fixo.
Custo variável (CV): cresce com a produção (salários, materiais, energia).
Custo total: \(CT = CF + CV\).
Custo médio: \(CMe = CT/q\).
Custo variável médio: \(CVMe = CV/q\).
Custo marginal (CMg): o custo de produzir mais uma unidade.
\[ CMg = \frac{d\,CT}{dq} = \frac{d\,CV}{dq}. \] O custo fixo não muda com \(q\), por isso desaparece na derivada.
Tipicamente em forma de U, como acabámos de ver: primeiro desce (ganhos de especialização), depois sobe (rendimentos decrescentes).
O CMg cruza o CVMe e o CMe nos seus mínimos, e tem de ser assim: \(CMe' = (CMg - CMe)/q\), logo o \(CMe\) desce enquanto \(CMg < CMe\) e sobe quando \(CMg > CMe\) (o mesmo para o \(CVMe\)). 📐
Cada curva laranja é o \(CMe\) de curto prazo de uma dimensão de fábrica \(\bar K\). No longo prazo a empresa escolhe a fábrica, logo fica na curva mais baixa para o \(q\) que quer: o \(CMe\) de longo prazo é a sua envolvente inferior.
Lê o \(CMe\) de longo prazo da esquerda para a direita.
Onde desce, uma empresa maior faz cada unidade mais barata: economias de escala. Onde sobe, a empresa ficou grande demais para ser bem gerida: deseconomias de escala.
Se descer em todo o intervalo de que o mercado precisa, uma empresa serve toda a gente mais barato do que duas. Guarda isto para a Parte 3. 👑
Daqui até à oferta de longo prazo, ficamos no curto prazo: a fábrica \(\bar K\) está fixa, e as curvas de custo são as do gráfico anterior.
A empresa escolhe \(q\) para maximizar o lucro \(\pi(q) = R(q) - CT(q)\).
Condição de primeira ordem: \(\pi'(q) = 0\), ou seja \[ RMg = CMg. \]
Produz até ao ponto em que a receita marginal iguala o custo marginal.
Verifica também a condição de segunda ordem: \(\pi'' = RMg' - CMg' < 0\), logo o CMg tem de cortar a RMg por baixo. Das duas soluções, só a crescente é um máximo. ⚠️
A curva de custo marginal de uma empresa tem forma de U e a empresa enfrenta um preço dado. O lucro é máximo onde \(P = CMg\):
A. Em qualquer das duas quantidades onde as curvas se cruzam.
B. Na menor das duas, onde o CMg está a descer.
C. Só se a empresa estiver também a minimizar o custo médio.
D. Na maior das duas, onde o CMg está a subir.
✅ D. A condição de segunda ordem exige \(CMg' > RMg' = 0\). No ramo descendente, \(P = CMg\) é um mínimo do lucro, e produzir mais uma unidade melhora estritamente as coisas.
O custo marginal está neste momento abaixo do custo médio. Então o custo médio está:
A. A descer.
B. A subir.
C. No seu mínimo.
D. Constante.
✅ A. De \(CMe' = (CMg - CMe)/q\), o sinal de \(CMe'\) é o sinal de \(CMg - CMe\). É a mesma aritmética de uma média de notas: uma nota abaixo da tua média puxa-a para baixo.
Uma empresa tem \(q = \sqrt{L}\), um salário de \(w = 2\) euros e um custo fixo de \(F = 18\) euros.
a) Escreve \(CT(q)\), \(CMg(q)\) e \(CMe(q)\).
b) Em que quantidade é mínimo o custo médio?
c) Verifica que aí \(CMg\) é igual a \(CMe\).
d) Qual é o custo médio mínimo?
a) \(L = q^{2}\), logo \(CT = 18 + 2q^{2}\), \(CMg = 4q\) e \(CMe = 18/q + 2q\).
b) \(CMe' = -18/q^{2} + 2 = 0 \Rightarrow q^{2} = 9\), logo \(q = 3\).
c) \(CMg(3) = 12\) e \(CMe(3) = 6 + 6 = 12\). Encontram-se, exatamente como \(CMe' = (CMg - CMe)/q\) exige. ✅
d) \(12\) euros por unidade. Repara que este é o preço de equilíbrio de longo prazo: abaixo dele a empresa não consegue cobrir o seu custo total em nenhuma quantidade.
Muitas empresas pequenas, um produto homogéneo, compradores e vendedores que conhecem os preços, e livre entrada e saída. Cada empresa é tomadora de preço.
Enfrenta o caso extremo da sessão 3: uma procura perfeitamente elástica pela sua própria produção. Cobra um cêntimo a mais e não vende nada.
Se é tomadora de preço, vender mais uma unidade rende sempre \(P\): daí \(RMg = P\), e a regra do lucro passa a ser \(P = CMg\). 📈
De todos os pressupostos, o que faz mais trabalho é a livre entrada e saída.
Qualquer pessoa pode abrir ou fechar uma empresa neste mercado: sem licença, sem patente, sem custo de entrada que não se recupere ao sair.
É isto que torna os lucros temporários: se há lucro, entram empresas; se há prejuízo, algumas saem. Usamos isto no fim desta parte.
É exatamente o que falta a um monopólio. A Parte 3 começa numa barreira à entrada. 👑
A empresa toma o preço como dado e escolhe \(q\) de forma que
\[RMg(q) = CMg(q) \quad\Longrightarrow\quad P = CMg(q)\]
Agora muda o preço. Ao novo preço a empresa resolve outra vez a mesma equação, e escolhe um novo \(q\).
🤔 Faz isto para todos os preços possíveis. O que obténs?
Cada ponto é a escolha ótima a um preço. Junta os pontos e tens a curva da oferta da empresa: a parte crescente do \(CMg\).
Lê \(P = CMg(q)\) como uma relação entre o preço e a quantidade que a empresa escolhe.
Escrita assim, com o preço sozinho à esquerda, dá o preço ao qual a empresa quer vender \(q\) unidades: a oferta inversa \(P(q) = CMg(q)\).
Agora põe \(q\) sozinho de um lado e tudo o resto (incluindo \(P\)) do outro. É a oferta \(q(P)\): quanto vende a empresa a cada preço.
Com \(q = \sqrt{L}\) da Parte 1, \(CMg = 2wq\), logo \[P = 2wq \quad\Longrightarrow\quad q(P) = \frac{P}{2w}\] Preço mais alto, mais produção. Salário mais alto, menos produção a cada preço. 🔁
Lê \(P = CMg\) como lemos a procura na sessão 3. Um vendedor entrega o bem e recebe o preço, logo vende quando
\[p - c \;\ge\; 0\]
onde \(c\) é o custo de produzir essa unidade.
Preço de reserva de um vendedor: o preço mais baixo ao qual ainda vende. É igual ao seu custo marginal \(c\).
Ordena esses custos e obténs a curva da oferta: quem consegue produzir abaixo do preço vende. 🏭
\(c\) é o custo de produzir mais uma unidade.
Os custos que a empresa paga quer produza essa unidade quer não (a renda da fábrica, a licença, o empréstimo já contraído) não estão em \(c\).
Por isso a curva da oferta é construída só com o custo variável. Vamos precisar disto outra vez para o excedente do produtor.
A mesma agregação da procura, no outro sentido: a cada preço, pergunta a cada empresa quanto quer produzir e soma as quantidades.
\[Q_s(p) = \sum_{j=1}^{m} q_j(p)\] onde \(q_j(p)\) é a oferta da empresa \(j\), obtida de \(p = CMg_j(q_j)\).
A oferta de cada empresa é o seu custo marginal crescente, logo a oferta de mercado tem inclinação positiva. Outra vez agregação horizontal. 📈
Empresa 1: \(q_1 = P/2\). A empresa 2 só começa em \(P = 2\): \(q_2 = P - 2\). A \(P = 8\) o mercado oferece \(4 + 6 = 10\). O vértice em \(P = 2\) é onde a empresa 2 entra.
Excedente do produtor (EP): a receita menos o custo variável do que foi produzido. A área abaixo do preço e acima da curva da oferta.
A curva da oferta é feita de custos marginais, e o custo marginal contém apenas custo variável. Os custos fixos nunca lá entraram, por isso também não estão no EP.
\[ \begin{aligned} \text{EP}(q) &= p\,q - CV(q) \\ \pi(q) &= p\,q - CV(q) - CF = \text{EP}(q) - CF \end{aligned} \]
\(CMg = 1 + q\), \(P = 7\), logo \(q^* = 6\). A receita \(7 \times 6 = 42\) é o retângulo todo. Abaixo do CMg está o custo variável, \(24\). Acima dele, até ao preço, está o \(\text{EP} = 18\).
Uma empresa pode ter um excedente do produtor perfeitamente saudável e mesmo assim perder dinheiro, depois de pagos os custos fixos.
Essa diferença é exatamente a razão por que uma empresa continua a funcionar com prejuízo no curto prazo: enquanto \(\text{EP} > 0\), encerrar faria perder ainda mais.
Duas perguntas diferentes: “vale a pena fazer esta troca?” (EP) e “valeu a pena começar este negócio?” (lucro).
\(P = CMg\) diz quanto. Não diz se. Para isso, compara com o custo médio.
🕐 Curto prazo: os custos fixos estão afundados, por isso ignora-os (sessão 1). Produz se \(P \ge CVMe\); encerra se não.
🕰️ Longo prazo: tudo é variável. Fica no mercado só se \(P \ge CMe\); caso contrário sai.
Entre \(CVMe\) e \(CMe\) a empresa tem prejuízo e continua a produzir, porque cobre o custo variável e contribui com alguma coisa para o fixo.
Essa diferença é exatamente a distância entre o excedente do produtor e o lucro que vimos acima. Agora sabes onde ela vive. 🔁
\(P = 11\): a empresa produz \(q^* = 7{,}50\), onde \(CMe = 7{,}67\). Lucro \(= (P - CMe)\,q^* = 25{,}00\) euros, o retângulo verde. 🟢
\(P = 6\), entre o mín CVMe e o mín CMe. Em \(q^* = 5{,}97\) a empresa perde \(8{,}96\) (vermelho). Se encerrasse, perderia o custo fixo todo, \(20\). A parte azul, \(11{,}04\), é custo fixo pago com a receita. Continua a produzir. 🟠
\(P = 3\), abaixo do mín CVMe. Mesmo no seu melhor \(q^* = 4{,}17\) a empresa perde \(24{,}63\): o custo fixo de \(20\), mais \(4{,}63\) porque o preço nem paga os trabalhadores (vermelho escuro). Encerra e perde só \(20\). 🔴
\[q(P) = \begin{cases} 0 & \text{se } P < \min CVMe \\ \text{o } q \text{ que resolve } P = CMg(q) & \text{se } P \ge \min CVMe \end{cases}\]
Imagina que o preço está acima do custo médio mínimo, logo as empresas estão a ganhar dinheiro.
Nada impede a entrada de novas empresas. A oferta de mercado expande-se, e o preço desce.
Só deixa de descer onde o lucro é zero, ou seja em \(P = \min CMe\). É por isso que o preço concorrencial de longo prazo é igual ao custo médio mínimo.
“Lucro zero” quer dizer que o capital rende exatamente o que renderia noutro lado. O custo de oportunidade já está dentro do custo. 💡
A procura sobe de D para D’. No curto prazo o número de empresas está fixo e o preço salta ao longo da oferta de curto prazo, muito inclinada (de A para B). Os lucros trazem novas empresas até o preço voltar ao \(\min CMe\) (C). Juntando A e C, a oferta de longo prazo é horizontal.
Agora que temos uma curva da oferta, podemos medi-la como medimos a procura.
Elasticidade-preço da oferta: a variação percentual da quantidade oferecida a dividir pela variação percentual do preço.
\[ \varepsilon_s = \frac{dQ_s}{dP}\cdot\frac{P}{Q_s} > 0. \] É positiva, porque a oferta tem inclinação positiva.
Depende sobretudo do tempo ⏳. De um dia para o outro a empresa só pode puxar mais pela fábrica que tem, o \(CMg\) dispara e a quantidade quase não mexe: inelástica. Em anos pode construir outra fábrica, e a mesma subida de preço traz muito mais: elástica.
A sessão 5 precisa deste número. Com o \(\varepsilon\) da procura, decide quem paga um imposto. 🧾
A mesma subida de preço, de 5 para 6. Com a fábrica fixa, a quantidade passa de 50 para 52,5 (\(\varepsilon_s = 0{,}25\)). Com tempo para construir, passa para 70 (\(\varepsilon_s = 2\)).
Vertical: a quantidade não mexe, seja qual for o preço. Horizontal: a esse preço as empresas oferecem qualquer quantidade, abaixo dele nada.
\(\varepsilon_s = 0\): a quantidade não pode responder de todo. Os quadros de Amadeo de Souza-Cardoso (morreu em 1918). Os lugares no voo das 8:00 de Lisboa para o Porto na próxima segunda-feira. As toalhas numa praia em agosto.
\(\varepsilon_s \to \infty\): a oferta de mercado de longo prazo que desenhámos acima. Com livre entrada, qualquer preço acima do \(\min CMe\) traz toda a produção que o mercado quiser.
Em concorrência perfeita, \(P = CMg\): o preço é igual ao custo de produzir a última unidade.
O valor da última unidade para o comprador é igual ao seu custo. Não fica por fazer nenhuma troca que valha a pena, e não se faz nenhuma que destrua valor.
Tudo na Parte 3 é medido em relação a esta referência.
No curto prazo uma empresa em concorrência encontra \(CVMe < P < CMe\). Deve:
A. Continuar a produzir, apesar de ter prejuízo.
B. Encerrar de imediato, já que está a perder dinheiro.
C. Subir o preço até cobrir o CMe.
D. Produzir antes onde \(P = CMe\).
✅ A. No curto prazo os custos fixos estão afundados, por isso não devem entrar na decisão. Como o preço cobre o custo variável, produzir perde menos do que encerrar. A opção C não está disponível: a empresa é tomadora de preço.
O excedente do produtor é:
A. A receita menos o custo total, incluindo o custo fixo.
B. A receita menos o custo variável do que foi produzido.
C. O lucro contabilístico da empresa no ano.
D. A área acima da curva da procura e abaixo do preço.
✅ B. A curva da oferta é feita de custos marginais, que não contêm custo fixo. Subtrai o custo fixo ao EP e só então tens o lucro.
Custo total \(CT = q^{2} + 10\) (euros), num mercado concorrencial a um preço de 12 euros.
a) Encontra a quantidade ótima.
b) Calcula o lucro.
c) Calcula o excedente do produtor, e concilia-o com (b).
d) Abaixo de que preço é que a empresa encerraria no curto prazo?
a) \(CMg = 2q\), e \(P = CMg\) dá \(12 = 2q\), logo \(q^{*} = 6\). O CMg é crescente, por isso é mesmo o máximo.
b) \(\pi = 12 \times 6 - (36 + 10) = 72 - 46 = 26\) euros.
c) \(CV = q^{2} = 36\), logo \(\text{EP} = 72 - 36 = 36\) euros. E \(\text{EP} - CF = 36 - 10 = 26\), o lucro. ✅
d) \(CVMe = q^{2}/q = q\), que é mínimo quando \(q \to 0\). Logo \(CVMe \le P\) verifica-se para qualquer preço positivo: esta empresa nunca encerra no curto prazo. O custo fixo de 10 está afundado e é irrelevante para essa decisão.
Um único vendedor. A empresa não é tomadora de preço: enfrenta toda a curva da procura.
Para vender mais, tem de baixar o preço em todas as unidades. É por isso que \(RMg < P\).
A regra do lucro (\(RMg = CMg\)) continua válida, mas agora a \(RMg\) fica abaixo do preço.
Um monopólio precisa de uma barreira que mantenha os rivais de fora.
🏗️ Custos: um monopólio natural, em que o custo médio desce em todo o intervalo relevante, por isso uma empresa serve o mercado mais barato do que duas.
📜 Lei: patentes, licenças, concessões. Concedidas de propósito, normalmente para pagar a invenção.
🔒 Controlo de um fator, ou uma rede que vale mais quanto mais utilizadores tem.
Escolhe o \(q\) onde RMg = CMg, e cobra o preço \(P_m\) sobre a curva da procura (acima do CMg).
Procura \(P = 10 - Q\), \(CMg = 2\). Concorrência: \(Q_c = 8\) a \(P = 2\). Monopólio: \(Q_m = 4\) a \(P_m = 6\).
O monopolista produz menos e cobra mais do que a concorrência.
O retângulo amarelo era excedente do consumidor em concorrência. Em monopólio passa a ser o lucro da empresa, \(16\) euros. Esta parte é uma transferência dos compradores para o vendedor, o excedente total não muda por causa dela.
Entre \(Q_m = 4\) e \(Q_c = 8\) os compradores valorizam o bem acima do que custa produzi-lo, \(P > CMg\), e essas trocas não acontecem.
Perda de peso morto (PPM): o excedente destruído por se produzir abaixo do nível eficiente. O triângulo vermelho, \(\tfrac{1}{2}(6 - 2)(8 - 4) = 8\) euros.
Confere o total: \(32 = 8 + 16 + 8\). A concorrência dava tudo aos compradores; o monopólio reparte-o e perde um quarto.
Lembra a fórmula da sessão 3: \(RMg = P\left(1 + \frac{1}{\varepsilon}\right)\). Com \(RMg = CMg\):
\[ \frac{P - CMg}{P} = -\frac{1}{\varepsilon} = \frac{1}{|\varepsilon|}. \]
Índice de Lerner: a diferença entre o preço e o custo marginal, em proporção do preço. É maior quanto mais inelástica for a procura. Poder de mercado é o poder de fixar o preço acima do custo. 💰
Verificação: a concorrência perfeita é \(|\varepsilon| \to \infty\), o que dá um índice de Lerner de zero e \(P = CMg\). A concorrência é o caso limite.
Da mesma condição de primeira ordem:
\(CMg \ge 0\) e \(CMg = RMg = P\left(1 + \frac{1}{\varepsilon}\right)\), com \(P > 0\). Logo \(1 + 1/\varepsilon \ge 0\), o que obriga a \(|\varepsilon| \ge 1\).
Portanto um monopolista que maximiza o lucro está sempre na parte elástica da procura. Nunca na parte inelástica.
A intuição da sessão 3: onde a procura é inelástica, subir o preço aumenta a receita e reduz a produção, logo aumenta a receita e corta o custo ao mesmo tempo. Nenhuma empresa deixa isso em cima da mesa. 💰
📊 Perceber o poder de mercado é essencial para avaliar empresas: margens altas sinalizam vantagem competitiva, e o índice de Lerner diz de onde elas vêm.
A análise setorial (quão concentrado é o mercado, quão elástica é a procura) entra diretamente na avaliação de ativos. 💼
Uma margem que nenhuma barreira explica não sobrevive à concorrência.
Em monopólio, no ótimo:
A. P = CMg.
B. RMg > P.
C. P > CMg.
D. P = RMg.
✅ C. Como RMg < P e RMg = CMg no ótimo, segue-se que P > CMg: o preço está acima do custo marginal.
Um monopolista que maximiza o lucro, com \(CMg \ge 0\), opera sempre onde a procura é:
A. Inelástica, já que é aí que a margem é maior.
B. De elasticidade unitária, já que isso maximiza a receita.
C. Com a elasticidade que o mercado tiver.
D. Elástica, já que \(RMg = CMg \ge 0\) exige \(|\varepsilon| \ge 1\).
✅ D. De \(CMg = P(1 + 1/\varepsilon) \ge 0\). A opção A confunde o índice de Lerner, que diz que uma procura menos elástica permite uma margem maior, com a afirmação de que a empresa acaba na zona inelástica. Nunca acaba.
Um monopólio com procura \(P = 20 - Q\) e \(CMg = 4\) euros constante. Repara que \(RMg = 20 - 2Q\).
a) Encontra a quantidade e o preço de monopólio.
b) Calcula o índice de Lerner e a elasticidade nesse ponto.
c) Quanto produziria uma indústria concorrencial com os mesmos custos?
d) Calcula a perda de peso morto.
a) \(20 - 2Q = 4 \Rightarrow Q_m = 8\), e \(P_m = 20 - 8 = 12\) euros.
b) Lerner \(= (12 - 4)/12 = 2/3\), logo \(|\varepsilon| = 3/2 > 1\): elástica, como tem de ser.
c) \(P = CMg\) dá \(20 - Q = 4\), logo \(Q_c = 16\) a um preço de 4 euros. O monopolista produz metade.
d) O triângulo perdido entre \(Q_m\) e \(Q_c\): \(\tfrac{1}{2}(12 - 4)(16 - 8) = 32\) euros de excedente que simplesmente desaparecem. ✅
🏭 No curto prazo a fábrica está fixa e \(q = f(L)\). Primeiro especialização, depois rendimentos decrescentes, logo \(CMg = w/PMg_L\) tem forma de U e \(CVMe = w/PMe_L\).
📐 O \(CMg\) corta o \(CMe\) no seu mínimo: \(CMe' = (CMg - CMe)/q\) é uma identidade, verdadeira para qualquer função de custo.
A empresa produz onde \(RMg = CMg\), no ramo crescente. Com preço dado isso é \(P = CMg(q)\), a oferta inversa; resolve-a em ordem a \(q\) e tens a oferta \(q(P)\).
❤️ O EP não é o lucro: deixa de fora o custo fixo, e é isso que faz a regra de encerramento de curto prazo ser \(P \ge CVMe\) e não \(P \ge CMe\). No longo prazo, a entrada empurra o preço para o \(\min CMe\).
👑 Poder de mercado é \(P > CMg\), e o índice de Lerner liga a margem a \(1/|\varepsilon|\). A concorrência é o caso \(|\varepsilon| \to \infty\).
Equilíbrio de Mercado e Impostos.
Já temos as duas curvas. A seguir encontram-se: o que fixa o preço, porque é que esse resultado maximiza o excedente, e o que lhe faz um imposto. ⚖️
Até para a semana. 🙌